Quem é Slash
Saul Hudson nasceu em Londres em 1965 e cresceu em Los Angeles. Começou a tocar guitarra na adolescência e passou por grupos como Road Crew, Hollywood Rose e Black Sheep antes de entrar no Guns N' Roses em 1985. A partir dali, sua forma de tocar passou a ocupar um espaço raro entre o hard rock de arena e um fraseado claramente enraizado no blues.
Appetite for Destruction, de 1987, mostra lados bem diferentes do mesmo guitarrista. Welcome to the Jungle trabalha ataque e riffs secos; Sweet Child O' Mine coloca uma linha melódica de guitarra no centro da música; Nightrain e Rocket Queen mostram como Slash combina riffs, fills e solos sem transformar todas as partes em uma única parede de distorção.
Nos discos Use Your Illusion, de 1991, os arranjos ficaram maiores e a guitarra ganhou ainda mais espaço melódico. Os solos de November Rain e Estranged, as partes acústicas do repertório e o uso da EDS-1275 em músicas como Knockin' On Heaven's Door ampliaram o vocabulário associado a ele. Depois vieram Slash's Snakepit, Velvet Revolver e, a partir de 2010, a carreira solo que acabou consolidando a parceria com Myles Kennedy.
Slash voltou ao Guns N' Roses em 2016 e seguiu trabalhando em paralelo fora da banda. Orgy of the Damned, de 2024, levou sua raiz blues para o primeiro plano e trouxe guitarras como ES-335, Stratocaster, Telecaster, Explorer e Les Paul para o mesmo disco. Nessa fase, os Magnatone passaram a ocupar um espaço que durante décadas esteve ligado principalmente aos Marshall.
Estilo e timbre
A base do timbre clássico de Slash é relativamente simples de descrever: guitarra de escala curta com humbuckers de saída moderada, amplificador valvulado britânico e médios fortes. A origem musical é mais ampla. Slash cita Jimmy Page, Eric Clapton, Jeff Beck, Joe Perry e Angus Young entre as primeiras grandes referências do rock, e aponta B.B. King como uma raiz central do seu fraseado de blues.
Nos solos, uma das marcas mais fáceis de reconhecer é a forma como ele trata bends e vibrato. A nota costuma chegar primeiro ao alvo; o vibrato entra depois, já com a afinação estabelecida. Isso deixa frases longas e notas sustentadas expressivas sem perder o centro da afinação.
O ganho normalmente fica abaixo do que muita gente imagina ao ouvir a guitarra dentro da mix. Quando há distorção demais, o ataque perde definição e os bends começam a soar achatados. Nos riffs, o captador da ponte aparece com frequência pelo corte; nos leads, o braço ajuda a trazer corpo. O wah entra em pontos específicos para acentuar a frase. É essa combinação de dinâmica, escolha de notas e controle da guitarra que continua reconhecível mesmo quando Slash troca de instrumento ou amplificador.
Guitarras
Kris Derrig Les Paul Replica
A guitarra mais ligada ao som de Appetite for Destruction é a réplica de uma Les Paul de 1959 construída por Kris Derrig. Slash contou à Guitar World que ela chegou já na reta final das sessões e soou perfeita para o que ele buscava. Equipada com Seymour Duncan Alnico II Pro, acabou se tornando sua principal guitarra no álbum e continuou sendo uma das peças centrais da carreira.
Les Paul Standard “Jessica”
Jessica entrou no rig no fim dos anos 1980 e virou uma das principais guitarras de palco de Slash. A Gibson registra o uso do instrumento desde 1988, atravessando turnês do Guns N' Roses, Velvet Revolver e outros trabalhos. É uma peça importante para entender o Slash de palco depois de Appetite.
Slash Les Paul Standard
A Slash Collection atual mantém a fórmula Les Paul que acompanha o guitarrista há décadas: corpo de mogno, tampo de maple, escala de 24,75 polegadas e dois Custom Burstbuckers com ímãs Alnico II. Appetite Burst, November Burst e outros acabamentos fazem parte da linha de produção ligada ao artista.
EDS-1275 Doubleneck
A EDS-1275 preta ficou especialmente associada às apresentações de Knockin' On Heaven's Door. Slash recebeu a guitarra no início dos anos 1990 e passou a usá-la quando o arranjo exigia alternar entre o braço de 12 cordas e o de 6 sem trocar de instrumento. O doubleneck também apareceu em performances de Only Women Bleed e Patience na fase Use Your Illusion.
1963 ES-335
Uma ES-335 de 1963 teve papel direto em Orgy of the Damned. Slash usou o modelo em Stormy Monday, The Pusher e Killing Floor, e a guitarra também entrou no rig da turnê de blues de 2024. O corpo semiacústico e a resposta mais aberta combinam bem com a proposta menos comprimida desse repertório.
Amplificadores
Marshall das sessões de Appetite for Destruction
É um dos sons de guitarra mais copiados do rock, e até hoje não há consenso sobre a identificação exata do Marshall alugado e modificado usado nas sessões. A própria Marshall reúne versões que apontam para um Super Lead 1959 da era JMP ou para um JCM800. O que permanece consistente nos relatos é que se tratava de um cabeçote modificado, alugado para a gravação.
Silver Jubilee 2555
Slash adotou o Silver Jubilee 2555 no fim dos anos 1980 e a família Jubilee passou a fazer parte do seu som de palco. A Marshall documenta cabeçotes de 1987 com válvulas EL34 para o timbre saturado, ligados a caixas 4x12 com Celestion Vintage 30.
2555SL Slash Signature
Primeiro Marshall signature de Slash, construído a partir das especificações do Silver Jubilee 2555. O retrospecto histórico da Marshall registra lançamento em 1996 e tiragem limitada de 3.000 unidades. Outra página da própria marca informa produção entre 1995 e 1997.
AFD100
O AFD100 foi desenvolvido para recriar dois sons ligados a fases diferentes de Slash. O modo #34 parte do JCM800 2203 modificado que ele usou a partir do fim dos anos 1980; o modo AFD foi ajustado a partir das pistas de guitarra de Appetite for Destruction. O cabeçote traz os dois modos selecionáveis por footswitch, atenuação de potência e autobias.
Eu trataria o AFD100 como uma recriação posterior desses sons. Ele não identifica nem substitui o Marshall original usado nas sessões de 1987.
Magnatone Super Fifty-Nine M-80 / SL-100
A mudança para Magnatone começou antes do disco de blues: Slash usou M-80s na turnê do Guns N' Roses em 2023 e gravou Orgy of the Damned inteiro com um M-80. A experiência levou ao SL-100, seu modelo signature de 100 watts desenvolvido a partir do Super Fifty-Nine M-80. Magnatone também passou a aparecer com The Conspirators.
Pedais
Slash Cry Baby Wah SW95
O SW95 combina o circuito Classic Cry Baby carregado com Fasel a um estágio de distorção de alto ganho que pode ser ligado separadamente. O pedal tem controles de Gain e Volume e LEDs independentes para indicar wah e distorção.
No som de Slash, eu usaria o wah como parte da articulação da frase, abrindo e fechando a varredura junto com bends e notas sustentadas em vez de deixá-lo parado em uma única posição.
DD-3 Digital Delay
O BOSS DD-3 aparece no pedalboard usado por Slash com a Blues Ball em 2024. No mesmo rig, ele convive com wah, boost, Tube Screamer, phaser, Uni-Vibe e rotary simulator.
CAE Boost/Line Driver MC401
O MC401 Boost/Line Driver faz parte do pedalboard mostrado no Rig Rundown de 2024. É o estágio de boost dessa cadeia, colocado antes da divisão de sinal entre os amplificadores e o rig de talkbox.
TS9 Tube Screamer
O Ibanez TS9 aparece no pedalboard da fase de blues de 2024. É um item específico desse rig e ajuda a explicar por que essa fase não deve ser reduzida à combinação Les Paul + Marshall usada como atalho para outras épocas da carreira.
EVH90 Phase 90
O MXR EVH90 também aparece no board de 2024, ao lado de Uni-Vibe e rotary simulator. Sua presença mostra que o set de blues abriu mais espaço para modulação do que os rigs de Slash normalmente resumidos a wah, delay e boost.
Cordas e acessórios
APH-2 Slash Alnico II Pro
O APH-2 é o set signature criado pela Seymour Duncan a partir da resposta que Slash buscava nos Alnico II Pro instalados em sua guitarra de Appetite. Usa ímãs Alnico II e mantém saída moderada, uma característica importante para preservar dinâmica e definição em amps já saturados.
Slash Signature 11-48
O jogo signature atual da Ernie Ball usa calibre .011–.048, núcleo Paradigm e enrolamento de aço niquelado com tratamento voltado a durabilidade e resistência à corrosão. As cordas lisas recebem reforço de latão no ball end para aumentar estabilidade e resistência.
Tortex 1.14 mm
O Rig Rundown de 2024 lista palhetas Dunlop custom de 1,14 mm. A própria Dunlop também registra que Slash usa Tortex há décadas, então a escolha da palheta faz parte do equipamento recorrente do guitarrista e não apenas desse tour.
Rig por fase
O rig de Slash muda bastante de uma fase para outra.
Em Appetite for Destruction, a combinação central é a réplica Les Paul de Kris Derrig com o Marshall alugado e modificado das sessões, cuja identificação exata continua discutida.
A partir do fim dos anos 1980, o Silver Jubilee 2555 tornou-se uma das referências mais estáveis do seu rig de palco.
Nesse mesmo período, Slash também passou a usar o JCM800 2203 modificado identificado como #34; o manual do AFD100 diz que ele usa esse amp desde o fim dos anos 1980.
Jubilee e #34 são Marshalls diferentes e ocupam lugares distintos na história do seu som.
A fase Magnatone começou em 2023, quando os M-80 entraram na turnê do Guns N' Roses, continuou nas gravações de Orgy of the Damned e chegou à turnê de blues de 2024 com um pedalboard mais amplo.
Para reproduzir um som específico, eu começaria pela era e pela música antes de escolher o equipamento.
Ajustes práticos por fase
Use estes números só como ponto de partida e ajuste de ouvido no seu amp ou modelador. Eles não são regulagens oficiais de Slash.
Appetite for Destruction — base prática
Para chegar à região de timbre de Welcome to the Jungle, Sweet Child O' Mine e outras faixas de Appetite.
Les Paul-style ou single-cut de escala curta com humbuckers de saída moderada.
Ponte para riffs e ataques mais secos; braço para leads com mais corpo.
Comece pelos riffs e acordes abertos. Se o ataque desaparecer e as notas começarem a se juntar, baixe o ganho antes de mexer nos médios.
Nota: Esses números são um ponto de partida para amps e modeladores atuais. Não existem posições de knobs verificadas para o Marshall das sessões de Appetite.
Silver Jubilee — lead de palco
Para a resposta dos rigs Marshall que Slash passou a usar ao vivo no fim dos anos 1980.
Les Paul-style com humbuckers de saída moderada e controles de volume e tone funcionando bem.
Braço para leads arredondados; ponte quando a frase precisa atravessar melhor a banda.
Segure um bend de um tom e escute a nota antes de colocar vibrato. O sustain precisa continuar cheio, mas o ataque e a afinação do bend ainda devem ficar claros.
Nota: Caixa, falante e volume mudam bastante a resposta de um Jubilee. Presence e grave costumam precisar de correção quando você sai de uma 4x12 e vai para combo ou modelador.
Magnatone / blues — 2023–presente
Para a fase que começa com os M-80 no Guns N' Roses em 2023 e ganha destaque em Orgy of the Damned.
ES-335, Les Paul ou outra guitarra com humbuckers que mantenha boa resposta à dinâmica.
Braço para mais corpo; ponte quando a música pede ataque mais seco.
Deixe a mão direita mudar o nível de saturação. Palhetadas leves devem abrir espaço e palhetadas fortes precisam empurrar o amp sem achatar a nota.
Nota: O M-80 tem resposta e potência próprias. Estes valores servem apenas como ponto de partida em equipamento diferente do amp usado por Slash.
Como chegar perto do som de Slash
As opções abaixo são maneiras de chegar perto desse tipo de resposta sem precisar comprar exatamente o mesmo equipamento de Slash. Em cada faixa de preço, o card mostra o que se aproxima e o que muda.
Guitarra principal
3 caminhosÉ o modelo de produção diretamente ligado à linha atual de Slash, com escala de 24,75 polegadas e Custom Burstbuckers Alnico II. Para o som específico de Appetite, a guitarra histórica continua sendo a réplica de Kris Derrig.
Mantém escala curta, ponte Tune-O-Matic, controles separados e ProBuckers Alnico II. Construção, ferragens e resposta dos captadores mudam em relação à Gibson, mas a base elétrica e ergonômica segue na direção certa.
É uma Les Paul de entrada com 650R no braço e 700T na ponte, ambos cerâmicos e mais agressivos que os Alnico II ligados ao som clássico de Slash. Eu começaria baixando a altura dos captadores e reduzindo o ganho. Se a resposta continuar comprimida, aí sim consideraria um par Alnico II ou PAF-style de saída moderada.
Amplificador
3 caminhosÉ o caminho mais direto para o rig clássico de palco de Slash. O 2555 é um cabeçote de alta potência e ainda exige uma caixa adequada, então o custo real do conjunto vai além do próprio amp.
Leva a arquitetura Jubilee para um cabeçote menor, com potência mais fácil de administrar. Continua dependendo de caixa e volume, mas é uma rota mais prática para quem quer a resposta dessa família Marshall.
O circuito é diferente do Jubilee, mas o DSL40 entrega crunch Marshall e EQ suficiente para trabalhar médios fortes e grave mais seco. Para esse uso, eu começaria com menos ganho do que parece necessário e ajustaria a partir do ataque da palheta.
Captadores
3 caminhosÉ o set signature desenvolvido a partir da resposta dos Alnico II Pro ligados à guitarra de Appetite. A saída moderada e os ímãs Alnico II combinam bem com amps que já fornecem boa parte da saturação.
Procure saída moderada, boa separação entre as cordas e um grave que não domine o amp. Há vários sets sem assinatura que chegam a essa região de resposta.
Se os captadores estiverem muito próximos das cordas, baixar alguns milímetros pode abrir o ataque e aliviar a compressão. Eu faria esse teste antes de comprar outro set.
Wah
3 caminhosO SW95 traz o Classic Cry Baby com Fasel e um estágio de distorção de alto ganho com controles próprios de Gain e Volume. É a opção que reproduz o conjunto de recursos do modelo signature.
O GCB95 entrega a varredura clássica de wah sem o estágio de distorção e os controles extras do SW95. Para quem já tira a saturação do amp, essa diferença pode ser menos relevante.
São opções de entrada e a curva de varredura varia de modelo para modelo. A vantagem aqui é o preço: servem para praticar o controle do pedal sem pagar pelo circuito signature.
Timbres analisados
Sweet Child O' Mine
Welcome to the Jungle
Nightrain
Mr. Brownstone
Yesterdays
Knockin' On Heaven's Door
You Could Be Mine
Gotten
Starlight
Fontes citadas
Cada equipamento desta página vem de uma das fontes listadas abaixo.
- Site oficialAcessar →Slash — site oficialSlashOnline
- Site oficialAcessar →Marshall — 1987: Slash, Marshall and an appetite for amplificationMarshall
- Site oficialAcessar →Marshall — Slash: Career, Amps, & Playing StyleMarshall · 8 jun 2021
- EntrevistaAcessar →Slash on his love of Les Pauls and the Kris Derrig guitarGuitar World
- Site oficialAcessar →Seymour Duncan — Slash Alnico II Pro APH-2Seymour Duncan
- Site oficialAcessar →Introducing the Gibson Slash Jessica Les Paul StandardGibson · 8 abr 2024
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- Site oficialAcessar →Slash Cry Baby Wah SW95Dunlop
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- EntrevistaAcessar →Ace Frehley and Slash on Les Pauls and their guitar influencesGuitar World
- EntrevistaAcessar →Slash on the blues music that shaped his playingGuitar World · 2024
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- EntrevistaAcessar →Blabbermouth — Slash AFD100 Signature AmpBlabbermouth · 13 jan 2011
- Site oficialAcessar →Epiphone — Les Paul TributeEpiphone / Gibson
- Site oficialAcessar →Dunlop — Slash Artist PageDunlop
